Chuva, chore
chore chuva que chia
chicoteia o teu chão
Chuva, chore
chore o chefe, o chato, os chauvinistas
chame chorosa pela chama e pelas chagas
Chuva cheia de chá e de chopin
Chuva num chalé com cherry
Chuva, chegue...
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Filhinhos de papai!
"São um bando de filhinhos de papai", "Ahhhh, olha essa blusa da GAP", "Se tivessem que trabalhar não estariam aí".
Bom, quero dar os parabéns às pessoas que dizem essas frases. Os estudantes que ocuparam a USP são SIM filhinhos de papai, em sua grande maioria. A classe trabalhadora não está lá. E não está lá exatamente porque ela precisa trabalhar! Eles não têm tempo para reivindicar seus próprios direitos, não podem simplesmente virar pro patrão e dizer "então, to indo ali brigar para que você me explore menos, já volto". Eu mesmo, há anos não me envolvo mais intimamente com nenhum movimento social. Por que não quero? Não, porque amanhã às 8h tenho uma reunião do trabalho, e uma série de compromisso em que mais pessoas dependem de mim.
A estrutura em que vivemos é feita exatamente para trabalhadores não poderem lutar contra o fato de não poderem lutar e que ainda se orgulharem disso. Quais são as esperanças, então? Sim, os filhinhos de papai! Que não têm culpa nenhuma de o serem, aliás. Ser filhinho de papai não é demérito nenhum e nem argumento! Todas as revoltas populares foram feitas por filhinhos de papai.
Na luta pelo fim da ditadura militar que nos assombrou, por exemplo, foram filhinhos de papai que foram às ruas, enquanto a classe trabalhadora os chamavam de criminosos, influenciados pelos patrões e pelas grandes mídias. Ou os cara-pintadas (ô movimentozinho picareta, aliás) eram boias-frias e camelôs?!
Trabalhadores não aprenderam política na escola, não aprenderam sobre exploração ou sobre seus direitos. Eles também não têm o hábito de ler, chegam exaustos do seu dia de trabalho e o máximo que eles conseguem processar depois disso são novelas. Quem luta tem que ter formação política, tem que ter debate, tem que discutir ideias. E quem tem tempo pra isso são os filhinhos de papai.
"Filhinho de papai" não é argumento e, por mais irônico que possa ser, eles são um certo tipo de esperança.
Bom, quero dar os parabéns às pessoas que dizem essas frases. Os estudantes que ocuparam a USP são SIM filhinhos de papai, em sua grande maioria. A classe trabalhadora não está lá. E não está lá exatamente porque ela precisa trabalhar! Eles não têm tempo para reivindicar seus próprios direitos, não podem simplesmente virar pro patrão e dizer "então, to indo ali brigar para que você me explore menos, já volto". Eu mesmo, há anos não me envolvo mais intimamente com nenhum movimento social. Por que não quero? Não, porque amanhã às 8h tenho uma reunião do trabalho, e uma série de compromisso em que mais pessoas dependem de mim.
A estrutura em que vivemos é feita exatamente para trabalhadores não poderem lutar contra o fato de não poderem lutar e que ainda se orgulharem disso. Quais são as esperanças, então? Sim, os filhinhos de papai! Que não têm culpa nenhuma de o serem, aliás. Ser filhinho de papai não é demérito nenhum e nem argumento! Todas as revoltas populares foram feitas por filhinhos de papai.
Na luta pelo fim da ditadura militar que nos assombrou, por exemplo, foram filhinhos de papai que foram às ruas, enquanto a classe trabalhadora os chamavam de criminosos, influenciados pelos patrões e pelas grandes mídias. Ou os cara-pintadas (ô movimentozinho picareta, aliás) eram boias-frias e camelôs?!
Trabalhadores não aprenderam política na escola, não aprenderam sobre exploração ou sobre seus direitos. Eles também não têm o hábito de ler, chegam exaustos do seu dia de trabalho e o máximo que eles conseguem processar depois disso são novelas. Quem luta tem que ter formação política, tem que ter debate, tem que discutir ideias. E quem tem tempo pra isso são os filhinhos de papai.
"Filhinho de papai" não é argumento e, por mais irônico que possa ser, eles são um certo tipo de esperança.
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