terça-feira, 5 de abril de 2011

Três definições para o amor

Bom, o que mais existe no mundo são músicas, filmes, poemas e tudo o mais sobre amor. Abaixo estão minhas três definições preferidas, uma de cada uma dessas "mídias", com honrarias para a última. E você, qual a sua?



Por Cordel:


Por Camões:

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

E a minha preferida, por minduim:

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A solução é fumar os carros!

Quatro coisas inspiram o post de hoje: um poema, uma reportagem, uma música e um documentário.

O poema

Cota zero

Stop.
A vida parou
ou foi o automóvel?

Carlos Drummond de Andrade


A reportagem

Por trânsito e poluição, China faz sorteio para comprar carro ( http://twixar.com/ftsB3 )


A música




O post

A relação sobre a qual falarei aqui surgiu pela primeira vez quando estava num ônibus voltando do trabalho e levei nada menos do que 30 minutos para percorrer 3 quarteirões (Leia de novo o poema acima agora). Comecei a imaginar opções para resolver o problema, mas nada decente vinha à minha cabeça. Pedágio dentro das metrópoles? Não adianta e é extremamente elitista. Multa para quem andar sozinho no carro pode ser uma boa, mas impossível aplicar e ainda elitista, a lei muito provavelmente não pegaria. Seria preciso um enorme processo de conscientização para que as pessoas passem a usar menos os carros. Nessa mesma hora olhei para uma mulher fumando do lado de fora de um bar e a relação se tornou óbvia.


A primeira coisa que precisa ser dita é que Freud é um cara foda e seu sobrinho Edward Bernays ganhou muito dinheiro com isso. Bernays foi um dos criadores do marketing moderno e ele se utilizou da seguinte premissa levantada pelo seu tio: é tudo sobre sexo. Foi ele quem introduziu o sexo nas propagandas e com isso a revolucionou, desde as pin-ups (ahhh, as pin-ups) até o cigarro como símbolo de sexualidade. E é aí que entra a relação entre os 30 minutos para atravessar 3 quarteirões e a mulher fumando. O carro é o novo cigarro. Carros são diretamente ligados à sensualidade, basta dar uma olhada em umas propagandas. "Ah, são propagandas idiotas" Sim, tão idiotas quanto os galãs e as musas de Holywood fumando após o sexo nos filmes que ajudaram a alavancar as vendas do cigarro.

É muito interessante ver a inversão de valores que tivemos com o cigarro no passar dos anos. Há 4 décadas, era a coisa mais glamurosa do mundo, apresentadores de tv fumando ao vivo, artistas, grandes ícones do pop mundial. Hoje esse status todo ainda aparece só nos adolescentes querendo mostrar que são fodas e acham que fumar é uma ótima maneira de fazer isso. As estrelas evitam ao máximo fumar em público, as leis limitando o fumo são cada vez mais severas, as campanhas anti-tabagismo chegam a ser constragedoras. Fumar virou vergonhoso na maioria dos ambientes. Tenho toda a certeza que a longo prazo, o número de fumantes diminuirá drasticamente depois de tudo isso.

E no cigarro temos a lição de como começar a resolver grande problema das grandes cidades do mundo: o trânsito e a poluição causada por ele (a reportagem acima mostra o desespero da China quanto a isso). Já existem algumas campanhas tímidas para que as pessoas evitem o uso do carro, mas a força da indústria automobilística é enorme. Já temos algumas leis que limitam o uso do automóvel, como o rodízio em São Paulo, por exemplo. Mas, para mim, a questão só começará a ser resolvida quando começarem a pegar pesado, assim como nas campanhas anti-tabagismo. Usar o carro para ir trabalhar a alguns quilômetros de casa ou para ir até a padaria deve ser tão constragedor quanto acender um cigarro numa roda de não-fumantes. O raciocínio é simples: As campanhas para o consumo de carro e cigarro se baseiam praticamente nas mesmas coisas: sexo e poder. Apenas campanhas parecidas serão capazes de acabar com esses dois problemas.

Ah, só pra deixar claro: se eu tivesse dinheiro a primeira coisa que faria é comprar um carro. E obviamente iria até a padaria ou trabalhar a alguns quilômetros daqui com ele.



O documentário