domingo, 2 de janeiro de 2011

Alguns livros



Há alguns meses resolvi que precisaria urgentemente voltar a ler. Colocarei aqui um pouquinho do que achei dos livros que li de lá pra cá.



O último teorema de Fermat (Simon Singh): um livro sensacional que passeia por toda a história da matemática de modo muito suave, sempre tendo como foco um dos mais famosos problemas da história da matemática: x^n = y^n + z^n não possui solução inteira para n maior que 2. Altamente recomendável para quem se interessa por história da matemática e não quer ficar quebrando a cabeça fazendo um monte de contas.



Malvados (André Dhamer): Uma compilação de várias tirinhas publicadas no site www.malvados.com.br. Tirinhas que abordam essencialmente política e conflitos humanos de maneira extremamente ácida e irônica. Pra quem não conhece e gosta de tirinhas, é um prato cheio!


O andar do bêbado (Leonard Mlodinow): um livro que fala sobre como a probabilidade está presente em nossas vidas e mostrando vários casos curiosos em que ela pode ser utilizada. Tem potencial para ser muito melhor, é raso demais.



A janela de Euclides (Leonard Mlodinow): Mais um livro de história da matemática, dessa vez passeando pela geometria, começando dos babilônicos e terminando nas últimas teorias da física sobre a natureza do universo. O melhor livro de divulgação científica que já li e está ao alcance de todos, não é preciso ter feito uma graduação em matemática para entendê-lo.

O evangelho segundo Jesus Cristo (José Saramago): o melhor livro que já li, com certeza! Causador de grande polêmica entre o Saramago e a igreja católica, é um livro de leitura um tanto árdua, mas deliciosa. A narração narra toda a vida de Jesus, com algumas passagens bem diferentes daquelas às quais estamos acostumados.

Leite derramado (Chico Buarque): estava com receio de ler um livro do Chico. Pra mim ele é um daqueles caras que, se fez algo de ruim, é melhor não ficar sabendo. Mais uma vez fui surpreendido por ele, um livro muito original e de leitura empolgante, apesar de não haver uma trama pela qual fica se esperando o final. É pequeno e fácil de ler. Recomendo!


A vida, o universo e tudo mais (Douglas Adams): O terceiro livro da trilogia de 5 do "Guia do mochileiro das galáxias". Leitura obrigatória pra qualquer um que se consideram um pouco nerd. Com um humor sarcástico é muito engraçado e ridiculariza várias situações do nosso cotidiano.


Veias abertas da América Latina (Eduardo Galeano): é o próximo ;)

Beijos!

sábado, 1 de janeiro de 2011

"Só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação"

2 meses e meio depois, aqui vamos nós de novo, espero atualizar com mais frequência daqui em diante.


Hoje, primeiro de Janeiro de 2011 a República Federativa do Brasil tem uma nova presidenta. Com a quase impossível missão de governar o país após a saída de um presidente-mito, as comparações serão inevitáveis e para ter uma avaliação positiva Dilma terá que fazer um governo muito melhor que o de Lula.

Durante seu discurso de posse no plenário da câmara, Dilma citou a frase que da título a esse post. É a primeira vez que vejo alguém que ocupa um cargo executivo no Brasil falar dos professores com tanta veemência. É claro que, como professor que sou (agora formado ^^) gostei bastante da colocação e espero que nesses 4 anos a educação seja a prioridade número de um governo que tem como principal desafio preparar um povo capaz de sustentar as demandas tecnológicas e intelectuais de um país desenvolvido.

É sempre bom lembrar aqui a figura do ex-senador Cristóvam Buarque que quando candidato à presidência da república nas eleições de 2006 , levantou a bandeira da educação durante toda a campanha, tornando-a prioridade (ao menos nos discursos) de todo político brasileiro.

Um passo importante para a educação brasileira foi a manutenção de Fernando Haddad como ministro da educação. Desde que assumiu o cargo no governo Lula em 2005 vem realizando vários esforços sem estardalhaços para que, a médio e longo prazo, tenhamos uma educação razoável em nosso país. Um exemplo que vejo com muitos bons olhos é a avaliação nacional dos professores que deverá ter sua primeira edição já no ano que vem. É uma pena que o governo federal tenha tão poucos meios de atingir a educação básica com políticas diretas.

Agora, é preciso, o quanto antes, tocarmos na questão central da nossa educação: não podemos continuar com esse modelo de escola e de aulas de um século atrás quando o mundo passou por transformações inimagináveis. Ao que me parece as únicas coisas que não sofreram praticamente nenhuma transformação nas últimas décadas foi a estrutura escolar e as juntas militares (eles ainda usam máquina de escrever lá!). Como queremos uma educação de qualidade se hoje a escola se tornou algo isolado do mundo?

Uma das minhas experiências mais interessantes esse ano foi seguir alunos no twitter, facebook, orkut e etc. Algo que gritou aos meus olhos, foi a ausência de comentários sobre a vida escolar. Como pode uma pessoa passar quase 1/3 de todos os seus dias dentro da escola e não levar o que acontece ali para os meios pelos quais se comunicam? Esse é o principal sintoma que nos mostra o quão falida está essa instituição essencial para a vida da nação.

Não basta apenas investir em educação e torná-la prioridade. Além disso, é preciso pensar numa revolução do modelo escolar. Não me pergunte como fazer isso, mas o começo óbvio é o investimento na formação de professores. Acabo de formar naquele que é considerado o melhor curso de licenciatura em matemática do Brasil e, sinceramente, não chego perto de considerá-lo um bom curso.

O primeiro passo é a mobilização das próprias universidades que tratam suas licenciaturas como cursos secundários em detrimento dos cursos valorizados pelos grandes investidores e pelo capital. Primeiro, ao escolher ser professor devemos escolher ser PROFESSOR e não escolher fazer matemática, história, geografia ou letras. Uma vez tomada a decisão de se tornar professor, o aluno entraria na universidade para um núcleo comum, onde por três anos aprenderia a ser professor. Entre suas matérias, figurariam itens de cultura geral, pedagogia, psicologia, política, língua portuguesa, língua estrangeira, matemática básica e aquilo mais que puder ser julgado conhecimento imprescindível para um professor. Passados esses três anos, o aluno escolhe sobre qual disciplina deseja fazer seus últimos dois anos de graduação.

Com essa formação mais completa e generalista, cada novo professor teria enormes condições de pensar em alternativas para o atual modelo de educação, que atraia o interesse dos jovens e crianças, fugindo desse nosso modelo falido que utiliza o ensino para o vestibular como uma de suas grandes amuletas.

A formação de qualidade é o primeiro passo para essa lenta revolução que deve levar décadas para ocorrer, mas declara-se de extrema urgência. Espero que esse seja um dos grandes eixos da nossa presidenta em sua política educacional.




Beijos!